Quando os filósofos T. Adorno e M. Horkheimer identificaram o que chamaram de “razão instrumental”, ainda estávamos muito distantes dos protocolos e procedimentos que regem hoje as nossas vidas. A cena que vi hoje me fez pensar nisso. Médico e paciente, em um hospital, discutem sobre qual seria a refeição ideal, já que o paciente estava em dieta zero e teria que passar para dieta líquida. Combinaram, de comum acordo, que o paciente gostaria de uma canja. Horas depois, a profissional da área de nutrição oferece um cardápio de dieta líquida que não inclui a canja. Justificativa: o protocolo de dieta líquida não prevê canja. Em nome de uma racionalidade científica – a da nutrição – que se relativa em relação ao saber médico e ignora a vontade do paciente – que o protocolo foi cumprido. Nada de canja, nada do gosto do paciente, nada da indicação do médico. Mas e se aplicássemos a “razão comunicativa” ao exemplo? Ao invés de a conversa se dar apenas entre paciente e médico, a nutricionista seria convidada a participar. Cada um abriria mão de sua posição? O médico e a nutricionista têm motivos digamos, científicos, para defender suas posições. Sobraria para a ponta literalmente mais fraca, o paciente, concordar com os dois. Na boa? Não dá para levar Habermas a sério.

Vamos dar a partidA numa conversa sobre política, feminismos e filosofia? Aqui, Marcia Tiburi e eu em debate: http://revistacult.uol.com.br/home/2015/05/partida-3/. Na próxima semana tem tréplica.

Somos muitas, e somos tantas que me parece óbvio que “a” menininha foi uma invenção perversa para nos subordinar. Como diz a historiadora feminista Joan Scott, as mulheres foram identificadas como “naturalmente” dóceis, mas ainda assim precisavam ser ensinadas a ser dóceis. Aqui, uma lista da rebeldia das meninas.

Com a prisão do povo da Fifa, alguém poderia imediatamente pedir a suspensão de todos os processos na justiça contra os ativistas presos e processados nos protestos? O argumento é óbvio: como queríamos demonstrar.

por Carla Rodrigues


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