Que a web modificou nossa relação com a informação, não há nenhuma dúvida. Mas demonizar os jornais por conta disso - como se tem feito no debate sobre o episódio sobre o blog da Petrobras - ou supervalorizar a rede em detrimento da grande imprensa me parecem dois erros equivalentes.
Um câncer é a maior experiência de vulnerabilidade pela qual alguém pode passar. Um câncer transmitido pela imprensa para todo o país não deve ser das coisas mais legais que pode acontecer na vida de alguém. A doença é pública, porque a mulher é pública, mas há limites?
Sempre que a medida do desemprego for a do mercado formal, os homens serão maioria entre os desempregados porque as mulheres estão no mercado informal, marca da discriminação sexual no trabalho. Em todos os países do mundo, as mulheres ocupam postos de trabalho mais precários ou de vínculo mais frágil.
A candidatura de uma mulher à presidência da República fará aflorar inúmeros preconceitos. O principal deles é a diferença de julgamento moral entre o comportamento sexual de um homem e o de uma mulher. Foi o que fez Protógenes investigar a vida afetiva da ministra Dilma Rousseff.
Pesquisa da cientista política Simone Bohn (foto) mostra que 88% do eleitorado brasileiro aprovam a eleição de uma mulher para a presidência da República. Apesar da preferência por candidatas de direita, ausência de preconceito pode favorecer Dilma Rousseff.
Defendida pela socióloga Estefânia Guimarães como tese de doutorado na Universidade de York, a pesquisa “Falando Sobre Violência: o Relato de Mulheres Vítimas de Abuso no Brasil” identifica, nas pequenas interações, problemas que são estruturais na sociedade e se manifestam no microcosmo de uma delegacia.
Decisões recentes da justiça paulista estão retrocedendo neste aspecto e voltando a propor como hediondo só os estupros seguidos de morte. Um absurso, porque para as mulheres, tanto o homicídio quanto o estupro são atos violentos contra a integridade, a privacidade e a vida.