É impossível não se apaixonar pelos contos de Mentiras do Rio, o premiado livro do jornalista Sergio Leo. A cidade é um personagem importante: estão lá o ideal romântico dos subúrbios, a violência urbana, a arquitetura, o novo rico, e todos os tipos que integram esse mosaico de cenas tão cariocas.
“O convidado surpresa”, título de estréia de Grégoire Bouillier no Brasil, se inscreve numa linhagem de autores que escrevem expondo ao leitor um fluxo de consciência que faz da leitura uma experiência de reflexão. O livro revela a interioridade de um protagonista atormentado pela descoberta da sua fragilidade.
Comecei a gostar muito do livro de Fal Azevedo quando a protagonista trocou a cidade grande por uma casa com quintal numa praia porque ela descreve uma fantasia que tenho acalentado pela vida inteira, a hipótese de que só e afastada do mundo serei, se não feliz, pelo menos pacificada com a existência.
De uma grande amiga recebi esse texto da Fal Azevedo, uma autora paulista que eu não conhecia, mas pela qual me apaixonei depois de ler esse trecho. Já comprei o seu livro mais recente, “Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite”, que em breve será aqui resenhado.
“Tudo novo de novo”, cujo segundo episódio vai ao ar naquele estranho horário das 23h de sexta-feira, é um bom retrato da vida dos casais de classe média as voltas com a demolição do modelo do casamento clássico, em busca da reinvenção de novas formas de viver seus afetos.
Esta é a tese central do absolutamente hilário livro da publicitária Luciana Pessanha, o “Como montar uma mulher-bomba”. Em formato de manual, é um divertido texto sobre relacionamentos. De tudo que eu li, foi até agora a crítica mais criativa ao comportamento masculino.
“Voz sem saída”, da jovem francesa Céline Curiol, me conquista com as pequenas implicâncias, indelicadezas e resistências de uma protagonista que cresce em densidade ao longo das 230 páginas que, passadas da metade, não consigo mais largar. A autora reservou ao leitor um desfecho que justifica toda a leitura.