Comecei a gostar muito do livro de Fal Azevedo quando a protagonista trocou a cidade grande por uma casa com quintal numa praia porque ela descreve uma fantasia que tenho acalentado pela vida inteira, a hipótese de que só e afastada do mundo serei, se não feliz, pelo menos pacificada com a existência.
De uma grande amiga recebi esse texto da Fal Azevedo, uma autora paulista que eu não conhecia, mas pela qual me apaixonei depois de ler esse trecho. Já comprei o seu livro mais recente, “Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite”, que em breve será aqui resenhado.
“Tudo novo de novo”, cujo segundo episódio vai ao ar naquele estranho horário das 23h de sexta-feira, é um bom retrato da vida dos casais de classe média as voltas com a demolição do modelo do casamento clássico, em busca da reinvenção de novas formas de viver seus afetos.
Esta é a tese central do absolutamente hilário livro da publicitária Luciana Pessanha, o “Como montar uma mulher-bomba”. Em formato de manual, é um divertido texto sobre relacionamentos. De tudo que eu li, foi até agora a crítica mais criativa ao comportamento masculino.
“Voz sem saída”, da jovem francesa Céline Curiol, me conquista com as pequenas implicâncias, indelicadezas e resistências de uma protagonista que cresce em densidade ao longo das 230 páginas que, passadas da metade, não consigo mais largar. A autora reservou ao leitor um desfecho que justifica toda a leitura.
“História do pranto”, de Alan Pauls, parte da idéia de que o choro faz parte da cultura argentina, que cultua o sofrimento, ou pelo menos a aparência do sofrimento. É o que ele chama de “campo de batalha da sensibilidade”, que despreza a introspecção e valoriza o espetáculo do sofrimento.
Em “O encantamento de Lily Dahl”, a inquietação da protagonista coloca a pacata cidade do meio-oeste americano em movimento. Ela vai sendo afetada – e vai afetando – o seu entorno, como uma esponja que absorve a angústia das pessoas que estão a sua volta.