Está nos dicionários. Emancipar significa libertar, livrar. Você pode nem nunca ter lido o Eric Hobsbawn, mas já ouviu dizer que ele considera o movimento de emancipação feminina um dos grandes acontecimentos do século 20.
Pois é.
Um artigo publicado domingo, Dia Internacional da Mulher, no jornal italiano
L’Osservatore Romano, afirma que a máquina de lavar roupa fez mais pelas mulheres do que a pílula ou o direito de trabalhar fora de casa.
(Eu sempre gosto de contestar esse negócio de direito de trabalhar fora de casa. Mulheres pobres sempre trabalharam. Minha avó materna trabalhava de enfermeira desde sempre, ou não haveria comida na mesa, e ela acharia um completo despautério que a neta fosse ser feminista pra reivindicar direito ao trabalho, obrigação na vida dela desde sempre).
A Mary e a Cynthia já escreveram sobre isso. Por isso, eu nem vou precisar falar do absurdo que é manipular as idéias da feminista Betty Friedan para tentar afirmar que ela defendia os eletrodomésticos como instrumentos de libertação das mulheres.
A questão que me motiva a entrar no assunto é outra.
Friedan diz coisas importantes no livro – disponível aqui para download.
Não podemos continuar a ignorar essa voz íntima da mulher, que diz: «Quero algo mais que meu marido, meus filhos e minha casa».
É por isso que o direito ao trabalho me incomoda. Porque é como se ele aparecesse como esse algo mais, desde que o marido, os filhos e a casa não ficassem relegados a segundo plano.
O tal do algo mais que Friedan discute no livro não é uma mera reivindicação de direitos. É uma reivindicação de tornar-se sujeito. De sua própria vida, de suas escolhas, e escolhas que podem excluir a formação de uma família ou a vida como dona-de-casa.
Enquanto não pensarmos emancipação desse jeito mais amplo – e não como uma lista de reivindicações que acabaram se tornando obrigações – não vamos conseguir nem avaliar de verdade os avanços feitos até aqui nem tão pouco pensar no que ainda falta conseguir.
Muito bem colocado
A Tecnologia facilita a nossa vida, facilita especialmente a vida da Mulher.
E não apenas a máquina de lavar, colocada ai com um sentido claramente perjorativo.
Eu somente acho é que direitos se conquista e não se reinvidica.
Os Homens não reividicaram o direito de sair das cavernas e não serem atacados pelas féras.
Não reividicaram o direito que as florestas se afastassem para que pudessem plantar e criar.
(Não me perguntem para quem rs )
Não reinvidicaram o direito de que o Mar se acalmasse para que pudessem navegar.
Vou parar por aqui que “navegar é preciso”.
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Tá, tá, mas a idéia de defender os eletrodomésticos como instrumentos de libertação das mulheres é pelo menos bem humorada, que é onde começa o bom senso. Olá.
Puxa, Carla, seu blog é ótimo, mas seus comentaristas homens…
Obrigada por escrever sobre mais esse deslize do vaticano. Eu fiquei sem vontade de escrever sobre isso, depois que o arcebispo disse que estupro é crime menor que aborto.
Ter o companheiro Josef Mario
como comentarista eu consideraria um trunfo.
Mas, tem ‘gente’ não sabe aproveitar, não sabe capitalizar.
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2000 – 104 máquinas de lavar instaladas numa praça em Berlin – Fusco e Klegi
http://www.flickr.com/photos/michael_westdickenberg/3046887252/
Carla,
Desde que eu me lembro por gente, minha mãe falava que a lavadora fez mais pela mulher do que qualquer outra coisa. E pelas mais pobres, porque as outras sempre tiveram outras mulheres para fazer isso por elas.
Não tem como separar a questão de decidir sobre a própria vida do “direito” de trabalhar, porque quem paga é quem decide. Para mim, isso é muito claro. Mesmo que muitos homens digam que quem manda é a mulher, na hora do vamos ver, quem tem a palavra final é sempre aquele que banca as despesas. Só que quando os dois colaboram para as despesas da casa, esse arranjo não funciona.
Daniela disse:
“…Só que quando os dois colaboram para as despesas da casa, esse arranjo não funciona.”
Uaí! É aí que deveria funcionar.
Mas, como disse Falcão ” Homem que é Homem não discute a relação”
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é, Lola, infelizmente vc tem razão. Mas o melhor remédio é o desprezo.
Dani, eu concordo que na hora H quem tem a palavra final é quem paga as contas.
Outro problema que surgiu com a libertação da mulher é que surgiram muitos homens cabeça fraca que se deixam sustentar pela mulher e acabam passando para a mulher a responsabilidade de sustentar a casa.
Na minha opnião a mulher deve trabalhar fora apenas o suficiente para comprar suas coisas e, se preciso, ajudar o marido no orçamento. Digo “suficiente” porque é essencial na educação de uma criança a presença da mãe.
OI!
então, eu sou homem, mas concordo plenamente com vc Carla. Essa tal de sociedade do trabalho parece que anda meio em crise, e, se prestarmos atenção, a importância do movimento feminista para esta situação, reivindicando justamente o reconhecimento das especificidades das mulheres foi fundamental para esta percepção, pelo menos na teoria social, daí que acho que vc tem razão em afirmar sim, que a emancipação (e aqui acho que não só a da mulher) deve ser pensanda menos em termos de direitos rígidos do que em termos de reconhecimento das capacidades particulares.
abraço
PS: acho que a professora Lena Lavinas, da UFRJ, já havia escrito, a uns três anos, um pequeno artigo em que destacava a importância da máquina de lavar para o trabalho feminino.
Lola
Sugiro que retorne ao tópico anterior
“Dilma e o Dia Internacional da Mulher”
E veja resposta, incluindo a conversa minha com uma amiga Professora Judia de São Paulo que acredito é muito esclarecedor. Veja o trecho final da conversa:
“…quando trabalho nas eleições vejo muitos oportunistas usar essa técnica
dizer em quem vai votar, tentando influenciar.
Pior que conseguem .”
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Carla disse?
“é, Lola, infelizmente vc tem razão. Mas o melhor remédio é o desprezo.”
Desprezar não é DELETAR.
O Josef Mario tem uma lucidez estraordinária como demonstra este fragmento de seu comentário:
” … o estupro quanto o aborto são crimes cruéis e hediondos. A diferença entre ambos, porém, é diametralmente oposta: enquanto o aborto está pondo fim a uma vida, o estupro pode estar dando início a uma outra vida.”
Além do mais, pôxa Carla bota a mão na consciência, ele uma vez sai em sua defesa em No Mínimo quando ‘um cara’ estava insistentemente a ofende-la.
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Djalma, eu nem entro no mérito do argumento, apenas eu tenho direito de escolha sobre com quem quero conversar.
Não tenho dúvida da importância da conquista da cidadania das mulheres (e isso foi ótimo, aliás, imprescindível), por outro lado, fomos nós mesmas que não tivemos coragem, muitas vezes, de abrir mão do que nos representava – ser mãe e dona de casa (o que, em muitos casos, talvez, tenha sido um equívoco). Procuramos ser (ou mostrar que somos) “super” e acabamos, muitas vezes, super cansadas, super chatas, super sozinhas, super mandonas..rs
Sou separada, estudo, trabalho, cuido do meu filho e da casa – claro que não tão bem como gostaria, afinal, é coisa demais… rs. Por isso acho mesmo que seja uma questão de saber (ou aprender) a colocar limites (o que, certamente, é uma atitude particular).
Os inventos da pílula e da máquina de lavar roupa foram sensacionais, a questão, pra mim, é o que cada um faz a partir destas mudanças; e ainda, de que maneira estas e outras invenções vão sendo incorporadas pela sociedade.
Quanto ao caso Joseph: por que não pensar as provocações (ou opiniões contrárias ou sarcásticas) como uma maneira de arrumar nossos argumentos de outra maneira – fortalecendo-o, muitas vezes?
abraço…
Li, o JOseph não me instiga a pensar, ele só vem aqui me desqualificar, o que me fez decidir não querer conversar com ele.
Concordo, podemos ser superchatas, supermandonas, supercansadas, mas de fato me parece que esta idéia de super tem a ver com estar presa a um certo modelo – ser mae e dona de casa, por exemplo – e querer acrescentar trabalho e carreira, sem aceitar a ideia de que nao dá pra fazer tudo. É como se fossemos obrigadas, por um lado, a cumprir todas as expectativas a nosso respeito, e ainda quisessemos nos realizar naquilo para o qual nos libertamos, como a carreira profissional, por exemplo.
Por isso eu defendo que é preciso ter liberdade de fazer escolhas.
“Mas, não se prende um Victor Hugo”
De Gaulle, ao cogitarem prender Sartre que esta panfletando a favor da rebelião dos estudantes,
“Cicero nós já estamos acostumado a ouvir”
Júlio César, ao cogitarem impedir um discurso do grande orador Cícero (da oposição).
cojitarem – desculpem
Ser mulher é tão ruim que existem homens querendo se-la e vice-versa.
Djalma, como deve ser a vida de quem nasce do estrupo? Talves te entenda, na hora de tirar os documentos seria:
Nome do pai: Estrupador desconhecido.