Miséria neurótica é uma expressão cunhada por Freud para expressar uma certa posição sintomática do sujeito que se mantém na permanente sensação de que sua insatisfação tem uma causa, e essa insatisfação é o que o afasta da segurança, da adaptação, do conformismo. Fuja, fuja rápido e correndo, de todo aquele que só despeja em você seu mal-estar ou seu estar-mal. Miséria neurótica, cada um que cuide da sua.

A palavra é procedimento: em toda corporação privada, seja financeira, institucional ou empresarial, há uma suposta lei, chamada por eufemismo de “procedimento interno”, em geral arbitrário e sem coerência com leis em vigor, cujo resultado ou objetivo é constranger a quem com esta corporação pretende ou precisa se relacionar. É um tipo de opressão cotidiana sutil, por que tudo se passa como se a submissão a procedimentos fosse uma obrigação natural e inerente, quando na verdade é apenas a face mais visível dos micropoderes que nos atormentam em nome da “lei”.

“O que amar quer dizer”, primeiro livro traduzido no Brasil do francês Mathieu Lindon – que participou desta última Flip –, toma a narrativa da sua amizade com o filósofo Michel Foucault como um dos eixos principais da sua formação. Voltada para uma experiência transgressora, de crítica aos valores burgueses, à heterossexualidade compulsória, ao patriarcado, à pretensão da consciência, a formação de Lindon por Foucault, no lendário apartamento da Rue de Vaugirard, acaba por ser a desformação do mundo pós-Maio de 1968, aqui símbolo de ruptura com valores tradicionais, hierarquias e pretensões de universalidade ainda herdados da modernidade.Mais em http://www.blogdoims.com.br/ims/romance-de-desformacao

“Eu não quero mais PMs nas ruas, quero o fim da PM tal como ela está concebida, porque estou convencida de que o absurdo do assassinato da Tintim é resultado da combinação entre corrupção, arbitrariedade, incompetência e violência desta polícia. Há anos e anos a PM fluminense justifica sua inoperância com a expressão “banda podre”, dicotomia em relação a uma suposta “banda boa”. Falta reconhecer que os dois lados da instituição são inseparáveis, um existindo para justificar o outro.” Sobre o assassinato da Tintim: http://www.blogdoims.com.br/ims/a-morte-e-a-morte-de-tintim

por Carla Rodrigues