O nome da operação de “prisão preventiva” é Firewall e os mandatos de prisão chegam com alegações de que os crimes foram cometidos pela internet. Alguma dúvida de que você está sendo monitorado, aqui e agora? Desde que Edward Snowden denunciou os sistemas de vigilância da CIA e na NSA, ninguém mais pode ser inocente em relação aos dados e metadados que são coletados sobre todos nós. Além das denúncias de Snowden, amplamente divulgadas pela imprensa, recomendo vivamente uma série americana – Person of interest – cuja trama gira em torno da existência de uma máquina com poderes de monitorar tudo e todos em tempo integral.

Espólio, herança e legado são palavras mais ou menos equivalentes no dicionário. Desde que alguém decidiu por uma tradução literal de “legacy” – por alguma insondável razão, herança não era bom o suficiente – a palavra legado entrou no cotidiano, foi impressa nas páginas de jornal e frequentou os discursos e documentos oficiais. Com a goleada histórica no Mineirão e a antecipação do fim da festa brasileira, o que sobra pode ser chamado de espólio, palavra que também é sinônimo de espoliação ou restos. Nos últimos anos, enquanto o “legado da Copa” se tornava um bordão oficial, crescia na mesma proporção o “imagina na Copa”, expressão da descrença de que cidades marcadas por problemas urbanos, sociais e econômicos pudessem vir a receber um imenso fluxo de turistas dispostos a festejar o maior campeonato de futebol do mundo. Continua aqui: http://www.blogdoims.com.br/ims/o-espolio-de-cada-um

Na geopolítica da Copa do Mundo, torcer pela Argentina é ampliar a noção de patriotismo que sustenta uma torcida e se identificar com “los hermanos”. América Latina vitoriosa numa copa realizada “em casa”. Mas do ponto de vista do torcedor brasileiro, deixar os alemães levarem a taça pra Europa talvez seja o único alívio possível depois da derrota de ontem. Perdemos de goleada do campeão do mundo e não teremos que ser alvo das milhares e quase previsíveis piadas dos hermanos. O fim de semana promete.

Neymar

Se eu entendi bem, a Fifa puniu o jogador da mordida extra-campo, com base em imagens vistas depois. A mesma coisa não deveria valer pra punir o cara que quebrou a vértebra do Neymar? O que delimita uma punição dentro/fora do gramado? Quando a mordida foi punida, acompanhei um debate sobre o que poderia ser um excesso da Fifa e me interessei pela questão, que obriga a pensar sobre os limites da tecnologia e sobre como essa mesma tecnologia nos faz perceber que é impossível delimitar o dentro/fora do gramado.

Copa das copas

Mesmo que, como eu, você também não ligue a mínima para futebol, com a politização da Copa do Mundo e os jogos na porta de casa, é impossível ficar indiferente. Duas leituras hoje indicam como a Copa do Mundo não se limita à bola que rola nos gramados. Na sua coluna semanal para a Folha, Vladimir Safatle fala daquilo que tem nos mobilizado há mais de um ano: a Copa como megaevento internacional, rendido ao capital e ao padrão Fifa (que, aliás, está longe de ser sinônimo de padrão de qualidade). Neste excelente artigo para o Observatório da Imprensa, Sylvia Moretzsohn discute as intricadas relações entre a política do futebol e a política da imprensa. Golaço.

por Carla Rodrigues