Ela, Santa Teresa. Ele, em Ipanema. Ela, jovem. Ele, passou dos 50. Ela, noturna. Ele, diurno. Ela, psicanálise lacaniana, ele nem pensar. Ela antítese, ele tese. Ela belo, ele sublime. Ela estética, ele ética. Ela canta, ele desencantamento. Ela Buda, ele nem pensar. Ela medita, ele se atrasa. Ela chão, ele divã. Ela terra, ele ar. Ela dança, ele pensa. Ela sente, ele mente. Ela curva, ele reta. Ela energia, ele nem pensar. Ela, cerveja de garrafa na esquina. Ele, vinho francês no decanter. Ela, Araras, ele Búzios. Ela, Londres. Ele, love New York. Ela Reich, ele Freud. Ela chão, ele divã. Ela arte abstrata, ele poesia concreta. Ela curva, ele reta.

Com enorme atraso, chega às livrarias a tradução do Manifesto contrassexual, da pensadora espanhola Beatriz Preciado. Um lindo livro-objeto, e infelizmente ainda uma raridade nas prateleiras.

Uma das coisas estranhas de envelhecer é ser tratada como idiota pelos gerentes de banco. A ideia de que um cliente de cabelos brancos não sabe como usar um aplicativo de telefone e, por isso, deve ser infantilizado, é das muitas confusões da cultura brasileira. Ser gentil ou educado não é’ nos tratar como incapazes. Haja paciência. A coisa fica ainda mais grave se considerarmos que o meu envelhecimento tem principalmente a ver com o fato de eu me recusar a pintar os cabelos. Estão ficando brancos, e são uma espécie de senha para que os jovens atendentes me tomem por uma completa imbecil.

E por falar em cabelos brancos, orgulho das minhas amigas em Brasília, na firme defesa da descriminalização do aborto.

Delicadeza, segundo Roland Barthes: “Sofrerei pois com o outro, mas sem exagerar, sem me perder. A esta conduta, ao mesmo tempo muito afetiva e muito vigiada, muito amorosa e muito vigiada, podemos dar um nome: é a delicadeza: ela é como a forma “sadia” (civilizada, artística) da compaixão. (Ate é a deusa do desvario, mas Platão fala da delicadeza de Ate: seu pé é alado, toca levemente.)”

Uma sala de atendimento na Receita Federal é um teatro do absurdo. Ao meu lado há uma funcionária ensinando uma pessoa a plastificar um CPF que ela acaba de imprimir. Explica, candidamente: “o verdadeiro” a receita não entrega mais, sem se dar conta de que está tomando por falso o documento que acaba de entregar.

por Carla Rodrigues


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