“Eu não quero mais PMs nas ruas, quero o fim da PM tal como ela está concebida, porque estou convencida de que o absurdo do assassinato da Tintim é resultado da combinação entre corrupção, arbitrariedade, incompetência e violência desta polícia. Há anos e anos a PM fluminense justifica sua inoperância com a expressão “banda podre”, dicotomia em relação a uma suposta “banda boa”. Falta reconhecer que os dois lados da instituição são inseparáveis, um existindo para justificar o outro.” Sobre o assassinato da Tintim: http://www.blogdoims.com.br/ims/a-morte-e-a-morte-de-tintim

O nome da operação de “prisão preventiva” é Firewall e os mandatos de prisão chegam com alegações de que os crimes foram cometidos pela internet. Alguma dúvida de que você está sendo monitorado, aqui e agora? Desde que Edward Snowden denunciou os sistemas de vigilância da CIA e na NSA, ninguém mais pode ser inocente em relação aos dados e metadados que são coletados sobre todos nós. Além das denúncias de Snowden, amplamente divulgadas pela imprensa, recomendo vivamente uma série americana – Person of interest – cuja trama gira em torno da existência de uma máquina com poderes de monitorar tudo e todos em tempo integral.

Espólio, herança e legado são palavras mais ou menos equivalentes no dicionário. Desde que alguém decidiu por uma tradução literal de “legacy” – por alguma insondável razão, herança não era bom o suficiente – a palavra legado entrou no cotidiano, foi impressa nas páginas de jornal e frequentou os discursos e documentos oficiais. Com a goleada histórica no Mineirão e a antecipação do fim da festa brasileira, o que sobra pode ser chamado de espólio, palavra que também é sinônimo de espoliação ou restos. Nos últimos anos, enquanto o “legado da Copa” se tornava um bordão oficial, crescia na mesma proporção o “imagina na Copa”, expressão da descrença de que cidades marcadas por problemas urbanos, sociais e econômicos pudessem vir a receber um imenso fluxo de turistas dispostos a festejar o maior campeonato de futebol do mundo. Continua aqui: http://www.blogdoims.com.br/ims/o-espolio-de-cada-um

Na geopolítica da Copa do Mundo, torcer pela Argentina é ampliar a noção de patriotismo que sustenta uma torcida e se identificar com “los hermanos”. América Latina vitoriosa numa copa realizada “em casa”. Mas do ponto de vista do torcedor brasileiro, deixar os alemães levarem a taça pra Europa talvez seja o único alívio possível depois da derrota de ontem. Perdemos de goleada do campeão do mundo e não teremos que ser alvo das milhares e quase previsíveis piadas dos hermanos. O fim de semana promete.

por Carla Rodrigues