A alegria é a prova dos nove. A miséria neurótica é à prova de alegria. Seu poder é o medo, sua glória é isso…ou pior.

Uma das coisas estranhas da vida on-line é a falsa – e ao mesmo tempo agradável – sensação de ter a vida sob controle na ponta dos dedos. Literalmente, depois do touch screen.

Um pênis de borracha, um vibrador, uma prótese, um suplemento. Um consolo, como se diz na linguagem popular. É a partir desse objeto que Beatriz Preciado começa aquilo que se tornou seu texto mais famoso e mais instigante, o Manifesto contrassexual: práticas subversivas de identidade sexual, tradução livre para o título de seu primeiro livro, lançado em 2000 na França, onde ela vive e trabalha; na Espanha, onde nasceu, em 1970; e nos EUA, onde se formou. Dali em diante, virá aquilo que chamo de política do desejo, em dois sentidos possíveis do termo. Preciado se apresenta como autora de uma política do desejo, e encarna, ela mesma, a figura de uma ativista política do desejo. Dessa dupla injunção sai um trabalho cujo princípio é a retirada da natureza como dado ordenador do pensamento sobre a sexualidade, questão debatida por um conjunto de pensadores nos quais Preciado se inspira, ao mesmo tempo em que deles se afasta. Leia o texto completo na revista Cult de agosto

Miséria neurótica é uma expressão cunhada por Freud para expressar uma certa posição sintomática do sujeito que se mantém na permanente sensação de que sua insatisfação tem uma causa, e essa insatisfação é o que o afasta da segurança, da adaptação, do conformismo. Fuja, fuja rápido e correndo, de todo aquele que só despeja em você seu mal-estar ou seu estar-mal. Miséria neurótica, cada um que cuide da sua.

A palavra é procedimento: em toda corporação privada, seja financeira, institucional ou empresarial, há uma suposta lei, chamada por eufemismo de “procedimento interno”, em geral arbitrário e sem coerência com leis em vigor, cujo resultado ou objetivo é constranger a quem com esta corporação pretende ou precisa se relacionar. É um tipo de opressão cotidiana sutil, por que tudo se passa como se a submissão a procedimentos fosse uma obrigação natural e inerente, quando na verdade é apenas a face mais visível dos micropoderes que nos atormentam em nome da “lei”.

por Carla Rodrigues