No debate sobre redução da maioridade penal, tenho um ponto: chega de jogar a culpa em cima das mães. Há todo um discurso a favor da redução baseado no argumento de que os menores infratores estão largados nas ruas, abandonados por suas mães. E ninguém vai perguntar pelo pai?

Rio de Janeiro, maio de 2015: uma criança de 13 anos e um rapaz de 22 acabaram mortos por policiais civis no morro do Dendê. Ontem um ciclista de 55 anos foi esfaqueado e morto na Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas hoje a cidade não acordou de luto, nem pelos mortos do Dendê, nem pelo morto da Lagoa. As bandeiras nos palácios não estão a meio pau, as pessoas estão indignadas por cinco minutos, mas estão, como eu, saindo para o trabalho, tocando as suas vidas, simplesmente porque é preciso. Luto é luta. É para parar tudo, chorar pela cidade perdida, pelas vidas perdidas, quebrar a rotina da violência também é quebrar nossas rotinas.

“Lugar de Mulher: é onde ela quiser” é o título de um livro escrito por três mulheres e uma espécie de palavra de ordem das jovens feministas. Do meu ponto de vista, me parece que antes disso é preciso afirmar que lugar de feminista é onde ela quiser. Pode-se ser feminista e ser contra ou a favor da lei do feminicídio, a favor ou contra a legalização da prostituição, a favor ou contra a pornografia, a favor ou contra a descriminalização do aborto, a favor ou contra a liberação sexual, a favor ou contra as mulheres trans (embora eu ache absolutamente ridículo ser contra mulheres trans, sei que há quem pense diferente). Pode-se ser só militante, ser só teórica, ser branca, negra, rica, pobre, hetero ou homossexual. Ser feminista, antes de tudo, é ser a favor da liberdade de escolha das posições a tomar. Qualquer tentativa de fechar “o feminismo” numa categoria qualquer é tão anti-feminista que, por mim, não pode nem ser levado a sério como estratégia política.

Outono no Rio

Se é outono, está úmido, você mora no Rio de Janeiro e tem asma, e seu cachorro solta muito pelo, então você está numa situação pior do que a do governo Dilma. Mas se você é professora universitária, a universidade está fechada por falta de pagamento dos funcionários terceirizados ao mesmo tempo em que aprovou-se a lei da terceirização – coincidência, aliás, das mais incompreensíveis -, então você pensa que não pode haver nesse momento nada em situação pior do que o governo Dilma.

Toda minha indignação com a violência contra os professores no Paraná

Profanaram a profissão de professor. Para salvá-la, não se trata de consagrá-la. Minha indignação com a violência contra os professores no Paraná, aqui.

por Carla Rodrigues


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